Fenomenologia existencial ou como psicologia genética de Jean Piaget

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A pesquisa em psicologia educacional tem-se pautado nos últimos anos por dois princípios metodológicos: qualitativo e quantitativo. Professores que ensinam a fazer pesquisa aos alunos de pós-graduação tendem a negligenciar os aspectos políticos que fundamentam tais critérios, e a reflexão de carácter epistemológico fica à deriva das discussões metodolóficas. O conflito metodológico entre aqueles que fazem pesquisa quantitativa e os que fazem pesquisa qualitativa é apresentado na esfera do marketing da actividade científica. Os primeiros justificam suas actividades através de cânones do método positivo, enquanto os segundos procuram abrigo no método fenomenológico.

Procuramos escapar deste suposto conflito metodológico adentrando-nos no campo da fundamentação da psicologia em seus critérios de cientificidade. Para tanto, definimos como objecto de análise, três projectos de fundamentação da psicologia: o de Jean Piaget com a sua teoria do sujeito epistémico; o de Amedeo Giorgi com as suas regras netodológicas qualitativas; e o de George Politzer com a crítica aos fundamentos da psicologia através da noção de objecto. 

Nosso objectivo é analisar o projecto que Piaget elaborou para a psicologia, a presentando-a como fundamento das ciências em geral e das ciências humanas em particular. Partindo das suas pesquisas genéticas, Piaget estabeleceu uma identidade entre epistemologia e teoria do conhecimento, construindo uma psicologia genética como eixo epistemológico para as ciências. Procuramos identificar o papel atribuido à psicologia através de uma caracterização feita por Piaget do sujeito epistémico.

Partimos de uma abordagem do sistema positivo de Comte no qual classificou as ciências segundo a definição de fenómenos, para mostrar a impossibilidade da psicologia constituir-se como ciência. Para Comte a psicologia não poderia ser considerada uma ciência positiva, pois a inexistência de fenómenos psíquicos impossibilita a construção de um conhecimento verdadeiro.

A proposta metodológica de Amadeo Giorgi, insere-se nas nossas investigações sobre os critérios de cientificidadeda psicologia, pela sua relevância para as pesquisas em psicologia educacional nos últimos anos. Seus argumentos definem num quadro de formatação histórica da psicologia a partir de duas abordagens: científico-natural e científico-humana. Cada abordagem fundamenta-se em determinado objecto e tendo como critério de verdade o método de pesquisa. A abordagem científico natural parte do método experimental das ci~encias naturais e a abordagem científico-humana precisa construir um método que lhe dê sustentação. Tal é a tarefa proposta por Giorgi: construir um método para a psicologia tornar-se uma ciência humana, tendo como base a fenomnologia de Husserl e Merleau-Ponty.

Quanto a Politzer, sua proposta e construir uma psicologia concreta elaborando uma crítica dos fundamentos da psicologia , a partir da descoberta original de Freud. o incons.Seu percurso consiste na explicitação do referencial metodológico utilizado por Freud , para demonstrar a relevãncia do método psicanalítico na construção da teoria do inconsciente .A interpretação não é para Politzer um método introspectivo , pois supõe de um outro como referência para através da transferência realizar o processo de construção do sujeito do desejo .

Chegamos a Politzer pela crítica radical que realizou aos fundamentos da psicologia e por sua proposta que marcou diferentes autores franceses nas décadas de 40 e 50. Limitamo-nos a apresentar os argumentos da crítica de Politzer à psicologia e algumas indicações sobre as bases de uma psicologia concreta .

Nossa conclusão procura apontar para a necessidade de colocar em questão os fundamentos epistemológicos da psicologia através da teoria do inconsciente elaborada por Freud. A psicanálise , enquanto método interpretativo do inconsciente , estabeleceu uma ruptura nos modelos cientificos assumidos pela psicologia desde Wundt. Esta ruptura é apontada na conclusão do trabalho e pretendemos dar continuidade às reflexões aqui esboçadas num estudo mais aprofundado sobre leitura que Politzer apresenta da teoria do inconsciente e do método psicanalítico como crítica à psicologia científica.

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